Dicas e Histórias

Nise da Silveira: a revolução do tratamento psiquiátrico no Brasil

Nise da Silveira: a revolução do tratamento psiquiátrico no Brasil

Escrito por Evernote Brasil, em 13 mar 2017

Escrito por Evernote Brasil, em 13 mar 2017

Comentário

“Pequenina e frágil, era uma gigante em força e coragem com que defendeu e lutou por suas ideias no âmbito da psiquiatria institucional” Fernando Portela.

Em 15 de fevereiro de 1905, em Maceió, nascia a mulher que mais tarde revolucionaria a psiquiatria no Brasil. Nise da Silveira, filha do professor Faustino da Silveira e da pianista Maria Lídia da Silveira, decidiu cursar medicina após concluir seus estudos na cidade Natal.

Em 1926, foi a única mulher em uma turma de 157 homens a se formar na Faculdade de Medicina da Bahia, e uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no país. Após sua graduação, mudou-se para o Rio de Janeiro com o marido, Mário Magalhães, onde iniciou sua especialização em psiquiatria.

Em 1932, começou a estagiar em uma clínica neurológica e no ano seguinte entrou para o serviço público, na Divisão de Saúde Mental.

Memórias do Cárcere

Durante o período do Estado Novo, Nise foi denunciada à polícia política de Getúlio Vargas, por uma enfermeira com quem trabalhava, pela posse de livros marxistas. Acusada de envolvimento com o comunismo, foi presa em 1936 no presídio Frei Caneca, onde ficou até 1936.

Na prisão, dividiu cela com Olga Benário, a militante comunista alemã casada com Luís Carlos Prestes e teve contato com o escritor Graciliano Ramos, que a menciona na obra “Memórias do Cárcere”.

Tratamento humanizado

Após a prisão, Nise manteve-se clandestina até ser finalmente reintegrada ao serviço público em 1944. A brutalidade no tratamento dispensado aos pacientes psiquiátricos à época lhe fez recordar os anos de presa política. Terapia de choque elétrico, uso de camisa de força e isolamento eram práticas comuns no Hospital Pedro II, no bairro Engenho de Dentro.

Logo quando começou a trabalhar no hospital, iniciou esforços para implementar a Terapia ocupacional como alternativa ao tratamento dos pacientes. Sua iniciativa resultou na criação, 10 anos depois, da Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (STOR) no mesmo hospital.

Nise percebeu que as artes plásticas eram uma forma muito eficaz de se comunicar com pacientes esquizofrênicos graves, para os quais a comunicação verbal representava uma enorme barreira. As obras criadas pelos pacientes eram a “voz” com que se expressavam.

Museu de Imagens do Inconsciente

Um dos grandes feitos de Nise foi a criação dos ateliês onde os pacientes desenvolviam trabalhos manuais e atividades artísticas como música, pintura, modelagem e teatro.

As artes extrapolaram o universo da medicina e foram expostas em diversas mostras. A primeira, em 1947, em exposição organizada pelo Ministério da Educação e Cultura. Dois anos depois, o Museu de Arte Moderna de São Paulo organizou a exposição “Nove Artistas de Engenho de Dentro”, com obras escolhidas pelo crítico francês Leon Degand.

Para preservar o acervo e fomentar a pesquisa científica, Nise criou em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente. O acervo, hoje com mais de 350 mil obras e documentos históricos, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e está disponível a pesquisadores de todas as áreas do conhecimento.

“Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas” Nise da Silveira

Fontes:
Centro Cultural do Ministério da Saúde
Psychiatry Online Brasil
Scielo
Huffington Post
Editora Boitempo

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