Dicas e Histórias

Mulheres Inspiradoras: Gabriela Viana

Mulheres Inspiradoras: Gabriela Viana

Escrito por jmoura, em 23 mar 2017

Escrito por jmoura, em 23 mar 2017

Comentário

Com expertise reconhecida em Marketing Digital – segmento em que atua há mais de 16 anos –, Gabriela Viana é diretora de Marketing para a América Latina na Adobe.

A executiva construiu carreira renomada na indústria de mobile softwares e smartphones, passando por gigantes globais como Motorola e Google.

É graduada em Publicidade e tem diversas especializações, incluindo uma extensão em Publicidade e Propaganda pela ESPM, um MBA pelo INSPER, além de um EDP (Executive Development Program) pela Kellogg School of Management.

Apesar da já extensa formação, um dos objetivos para o ano é estudar: “eu realmente gosto muito de me sentir uma estudante e quero garantir que meu ano de 2017 tenha espaço para minha formação infinita e interminável”.

Quanto à presença da mulher no mercado de trabalho, chama a atenção para o abismo existente entre os sexos no que se refere a salários e oportunidades e condena o retrocesso em algumas conquistas “e é exatamente agora que devemos nos tornar mais combativas”.

Confira sua entrevista para a Evernote Brasil.

Quais são os seus planos profissionais para 2017?

Manter a disciplina em equilibrar vida profissional e pessoal. Quando garantimos que temos espaço para nós mesmos, nossa saúde e para as pessoas que amamos, vamos aprendendo a priorizar – tanto no trabalho quanto na vida pessoal – e a fazer escolhas, por mais difíceis que sejam.

E, honestamente, acho que nos tornamos mais eficientes como profissionais e como esposas, mães, filhas. Existem muitos projetos que são “nice-to-have”, mas que sugam recursos e energia para um impacto apenas marginal. Assim como muitas atividades com as quais nos distraímos na vida pessoal sugam um tempo precioso.

Estudar: Eu realmente gosto muito de me sentir uma estudante e quero garantir que meu ano de 2017 tenha espaço para minha formação “infinita e interminável” como profissional. Temos muitas opções ao alcance de um clique ou que tomam poucos dias, mas que criam um espaço enorme dentro da nossa cabeça.

Garantir o desenvolvimento da Adobe no Brasil e dos times com os quais trabalho, como líder ou parceira também é um objetivo para 2017. Tenho um enorme prazer em trabalhar com pessoas e marcas e só sei trabalhar completamente apaixonada pelo que faço, pelos desafios adiante e pelo crescimento das pessoas ao meu redor.

Como você se organiza para alcançar seus objetivos e metas?

Eu ainda preparo diariamente minha lista de afazeres (é sempre a primeira atividade do meu dia, antes mesmo de abrir o e-mail) e separo em dois blocos – atividades que preciso realizar no trabalho e atividades que têm a ver com a minha vida pessoal. Em ambas as listas marco uma única delas que é a que trará mais impacto no meu dia.

Frequentemente fecho o dia sem conseguir realizar todas as atividades que listei, mas sempre garanto que aquela de maior impacto – para meu trabalho, meu time ou minha família – foi realizada.

Sempre tive minhas listas de “to-dos”, mas desenvolvi mais recentemente esse hábito de escolher uma atividade de cada campo e garantir que sobre energia e prioridade para ela. Dessa forma, administro melhor a ansiedade natural de ter mais trabalho do que as horas do dia me permitem realizar.

Eu uso um app mobile para manter minha lista e existem 2 ou três tópicos que se repetem durante um período bem longo. Eles se referem a grandes coisas que quero conquistar ou desenvolver, e tê-los na lista diariamente me ajuda a inserir atividades que me ajudem a “chegar lá”. Assim como também ler diariamente meus objetivos maiores os mantêm em minha lembrança, mesmo na loucura do dia a dia.

Como você vê o empoderamento da mulher no mercado de trabalho como um todo? E na sua área de atuação?

Há alguns anos trabalho em multinacionais e, portanto, sempre tive o prazer e o privilégio de conviver com mulheres em cargo de liderança. A área de marketing tem grande tendência a ter mais mulheres, mesmo nos mercados de tecnologia, onde sabidamente há menos mulheres do que homens, de forma geral.

No entanto, acho que é bem claro que existe um enorme abismo a ser eliminado tanto na quantidade de mulheres que efetivamente chegam a ser líderes dentro das empresas, como na igualdade de oportunidades e salários. Há muito trabalho a ser feito e acredito que o principal deles é começar por entender por que em um país onde temos mais mulheres do que homens fazendo formação superior – e portanto uma maior capacidade de contratação qualificada entre mulheres – tantas ainda abrem mão da carreira no meio da jornada. Um sinal de que a maneira que funcionamos no mundo corporativo não beneficia jovens mães e a vida em família. Assim muitas de nós, por mais que se esforcem, não galgam posições com a facilidade dos homens.

Vivemos em uma sociedade machista e o mundo corporativo acaba refletindo essa realidade também. Vale lembrar que o machismo infelizmente não é “privilégio” dos homens e que nós devemos ser as primeiras a combatê-lo, começando por nós mesmas, nossas crenças e nossa maneira de ver umas às outras.

Esse movimento também começa na vida em sociedade, na maneira de criar nossos meninos (na exigência de que os homens se engajem na defesa das mulheres e meninas) e na nossa postura em defendermos umas às outras, aplicando uma dose do “corporativismo” que os homens tanto têm entre si.

O momento é de retrocesso em algumas frentes duramente conquistadas pelas mulheres – no discurso político mundial, por exemplo – e é exatamente agora que devemos nos tornar mais combativas.

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