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Como evitar armadilhas que roubam o foco?

Como evitar armadilhas que roubam o foco?

Escrito por Evernote Brasil, em 03 out 2017

Escrito por Evernote Brasil, em 03 out 2017

Comentário

Até para pessoas que se consideram boas na hora de focar, a era da tecnologia representa um desafio. Nunca antes tivemos tantos dispositivos, alertas de celular, plataformas de redes sociais, propagandas e tarefas competindo pela nossa atenção. Então, todos nós precisamos de um pouco de ajuda para manter o foco.

Afinal de contas, focar na maneira certa das coisas certas nas horas certas é uma habilidade crítica para o sucesso na vida – uma que os psicólogos descobriram que podem ser aprimoradas com a prática.

Em primeiro lugar, o que é foco?

De acordo com Daniel Goleman, um psicólogo líder e especialista em ciência de atenção, e autor de ‘Foco: A Atenção e Seu Papel Fundamental para o Sucesso’, disponível no Brasil, há diferentes tipos de foco.

Ele explicou para a Forbes: “Há muitas variedades de atenção, falando tecnicamente, cada uma com suas melhores aplicações. Fazer um trabalho bem feito, por exemplo, requer uma concentração aplicada, enquanto descobertas criativas fluem melhor quando estamos em uma consciência aberta e solta.” Em outras palavras, enquanto o foco envolve como estamos direcionando nossa atenção (sempre estamos focados em alguma coisa!), modos diferentes de atenção existem e são usados de maneira melhor para tarefas diferentes.

Goleman define os tipos de atenção – a qual os neurocientistas estudam através de ressonâncias magnéticas funcionais – em três categorias gerais. Ele defende que podemos ter foco “interno”, “externo” ou “outro”, ou foco no eu, outras pessoas e no mundo ao nosso redor. Os mais bem sucedidos desenvolvem e equilibram esta “tríade de consciência”, porque uma “falha no foco interno te deixa sem rumo, uma falha no foco nos outros te deixa sem noção, e uma falha no foco externo pode te deixar cego.”

O foco interno envolve desenvolver a autoconsciência, ou ouvir a nossa voz interna. O autocontrole envolve colocar nossa atenção em uma tarefa dada e mantê-la ali. Esta segunda habilidade, que também pensamos como concentração, é o que muitos de nós pensam quando dizemos que queremos focar melhor. É no que estaremos focando – piada ruim detectada – neste artigo.

Mas como usamos de maneira bem sucedida nossa força de vontade? Goleman diz que há três maneiras.

  • Remover de maneira voluntária nosso foco daquilo que está nos distraindo
  • Trabalhar a resistência à distração para que não sejamos atraídos de volta para ela
  • Concentrar no que devemos fazer e imaginar como vamos nos sentir bem quando conseguirmos

Quando estamos praticando a concentração, é importante praticar estes três hábitos.

Outras consciências envolvem focar em outras pessoas e como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor. Ela requer desenvolver nossa empatia e compreender como as outras pessoas estão se sentindo.

Consciência externa refere-se ao foco no mundo ao nosso redor: dinâmicas políticas, culturais e econômicas são alguns exemplos. De acordo com Goleman, compreender o mundo é crítico para ser estratégico e inovativo.

Como a atenção e a concentração funcionam

O que está acontecendo em um nível de atividade cerebral quando estamos concentrados e quando estamos distraídos? Para responder esta pergunta, é importante entender os dois “sistemas” que governam o cérebro.

Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel, chama isso de Sistema 1 e Sistema 2, os sistemas automático e refletivos respectivamente.

O Sistema 1, ou o sistema automático, é nossa rede cerebral involuntária que está sempre analisando nossos ambientes e processando estímulos. É o sistema que faz com que saltemos automaticamente quando alguém encosta em nossos ombros de maneira inesperada. Ele toma decisões rápidas e está sempre fazendo barulho no fundo. Quando estamos tentando focar, os estímulos ambientais – incluindo algo insignificante como um colega de trabalho fechando uma porta – podem servir como distrações.

O Sistema 2, ou o sistema refletivo, é voluntário e usado para tomar decisões racionais, deliberadas e analíticas. É o sistema que usamos quando sentamos em nossas mesas e planejamos projetos, estratégias e analisamos nosso trabalho e vidas. Ativar o Sistema 2 requer força de vontade para concluir o trabalho. Apesar do músculo de nossa força de vontade poder ser fortalecido com a prática, ele também fica cansado. Isso significa que não podemos confiar na concentração por períodos de tempo indefinidos. Também, quando estamos nos concentrando, nossos cérebros estão gastando energia para suprimir distrações. Concentração tem um custo metabólico – quando nossos cérebros se cansam, somos menos produtivos e afiados. Demora mais tempo para concluir tarefas e estamos mais suscetíveis a cometer erros em nosso trabalho.

Como evitar armadilhas de distração

Então, como melhoramos a duração e resistência de nossa concentração? Aqui estão quatro dicas para ajudá-lo.

Minimize todas as distrações que você tem controle

Elimine quaisquer barulhos extras, alertas e abas de computador do seu espaço de trabalho. Isso inclui alarmes de telefone, alertas de mensagens e sua caixa de entrada. Queremos reduzir a quantidade de estímulos externos que o Sistema 1, o sistema de resposta automática, envia ao Sistema 2 (que resulta na distração). Quanto menos nosso ambiente externo exigir de nossa atenção, melhor conseguiremos sustentar a concentração.

Pratique o treino do seu “músculo de foco”

Goleman compartilha: “A capacidade de focar é como um músculo mental. Quanto mais ele é exercitado, mais forte fica.” Como praticamos o foco? Ele oferece um treino de quatro partes baseado em pesquisa – originalmente descoberto pela professora Wendy Hasenkamp da Emory University – para fazer “repetições” de foco mentais.

  1. Foco no seu fôlego
  2. Reconheça que seus pensamentos se dispersaram
  3. Liberte-se do seu pensamento atual
  4. Foco no seu fôlego novamente e fique ali

Este processo de quatro passos é “uma repetição”. Cada vez que você perder o foco, pratique esta repetição. Goleman explica que esta prática simples, mas desafiadora fortalece os circuitos do cérebro.

Você também pode praticar o foco por períodos mais prolongados de tempo. Por exemplo, você pode começar ao focar de maneira intensa a cada dez minutos por vez e prosseguir a partir daí.

Lembre-se: Podemos praticar ficar mais focado e mais proficientes ao longo do tempo. Ganhamos uma regulação emocional melhor e menos stress, dois fatores que se traduzem em um foco melhor.

Medite
Estudos sugerem que meditar regularmente reduz a divagação da mente e aumenta nossa capacidade de manter a concentração em longos períodos de tempo. Uma revisão de 23 estudos de meditação diferentes descobriu que pessoas que praticaram por alguns meses melhoraram sua habilidade de suprimir os estímulos ambientais, o que é crítico para manter a atenção. E, outra revisão de 30 estudos diferentes sobre atenção plena e meditação mostrou que apenas oito semanas de redução de stress baseada em atenção plena produz resultados no cérebro parecidos com uma prática de meditação a longo prazo.

Experimente meditar por cinco minutos por dia para começar. Se você quiser aprender técnicas específicas para meditação, faça uma aula presencial ou use um aplicativo como o Headspace.

Se possível, coloque seu telefone em um ambiente diferente

Todos nós sabemos que receber uma mensagem de texto ou um e-mail pode causar uma distração. Mas um estudo recente da Universidade do Texas em Austin, sugere que ter nossos telefones ao alcance – mesmo se estiverem desligados – reduz a capacidade cognitiva ou capacidade de se concentrar.

No estudo de quase 800 pessoas, pesquisadores pediram aos participantes para executar testes que necessitavam de concentração. Os resultados? Os participantes que deixaram seus telefones fora da sala desempenharam melhor do que os que tinham telefones em suas mesas e bolsas, por uma margem grande e pequena, respectivamente.

O professor Austin Ward, que ajudou a liderar o estudo, explicou: “Sua mente consciente não está pensando sobre o seu smartphone, mas [o processo de pedir a você mesmo para não pensar em algo] usa parte dos seus recursos cognitivos limitados.”

Da próxima vez que você sentar para progredir no seu trabalho, experimente deixar seu telefone fora de alcance e veja o que acontece.

Autocontrole melhor é igual a…

Desenvolver autocontrole precisa de esforço, mas dados mostram que a recompensa provavelmente vale o trabalho. O Estudo Dunedin, um estudo longitudinal de várias décadas, acompanhou mais de mil pessoas como crianças, depois avaliou seu desempenho de saúde e de riqueza, e seus históricos criminais, como adultos. O estudo revelou uma conexão forte entre graus de autocontrole e sucesso nestas áreas, e que o autocontrole pode ser aprendido.

Apesar do relacionamento entre estas duas descobertas relacionadas não necessariamente ser causal, é poderoso saber que com mudanças incrementais, podemos provavelmente aumentar nosso bem estar físico e financeiro.

Agora é com você: quais são seus métodos preferidos para permanecer focado? Conte-nos abaixo nos comentários.

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4 Comentários RSS

  • Olá! meu nome é Pedro e tenho 18 anos. Uso métodos de concentração que eu costumo chamar de ritual. Esse ritual consiste em meus primeiros 10 minutos do dia, ou seja, ao acordar, procuro entrar em harmônia com a realidade. Ou seja, se tornar autoconsciente com o momento. Esses primeiros 10 minutos diários me permitem ter um foco sobre meu comprometimento com as tarefas do dia. Construí três técnicas para direcionar meu foco e me tornar mais eficaz. Elas se consistem em priorizar o que eu devo fazer, logo após, o que eu posso fazer, e por fim o que eu quero fazer no meu dia todo. Esse sistema me ajuda a ser altamente produtivo e gerar soluções para meus problemas e ajudar os outros. Então minha mensagem é, seja mais consciente, torne o momento sua prioridade. Muito do que desenvolvi foi devido a uma grande inspiração, Gabriel Goffi, criador da high stakes academy e do curso moving up, que realmente está mudando minha jornada, Bora pra action!

  • Frederico Rubinger

    Excelente artigo! Acredito que cada pessoa consegue juntar as boas práticas e adaptar à sua realidade. O método “pomodoro” me ajuda bastante!

    Grande abraço,

    Fred

  • Bom dia
    Gostei muito do texto. Ele abrange um número muito grande de pessoas, por não ser um texto científico (artigo) e sua capacidade de divulgação, conforme esta característica, pode ser muito grande.
    Única coisa que senti falta, como pesquisador, foram as referências dos trabalhos que são citados no texto. Embora, sejam disponibilizados no texto os nomes dos autores, e até nome de alguns livros, seria interessante, no final da matéria, ter as referências de tudo que foi citado no corpo do texto. Caso alguém, como eu, queira ir diretamente nos autores para ter um maior entendido sobre essas teorias, com as referências isso seria mais fácil
    Gostei da redação e da divulgação científica. Esta muito bom!

  • FrankCastle

    Interessante. Estou nesta jornada. Descobri há alguns anos o Headspace e pratiquei bastante. Tive um hiato e agora estou experimentando o programa de 8 Semanas de Atenção Plena, citado neste artigo e presente no livro de mesmo nome. Estou terminando a quarta semana e gostando bastante. Detalhe interessante, a editora disponibiliza livremente os áudios com as meditações guiadas propostas no livro: http://www.esextante.com.br/atencaoplena/